Sobre Van Gogh

By epilef

Um email não enviado

Contudo, Van Gogh se deixou levar pelo seu sofrimento. Poderia eu dizer, então, que suas cartas relativas a esse assunto (sofrimento, etc) não fazem sentido? Essa é a pergunta que me faço toda vez que leio suas cartas. E Van Gogh provou, pelo menos, que é mais fácil falar que fazer. Não posso dizer que ele estava errado, mas não conheço um homem na história da humanidade que não tenha se rendido à dor no final das contas. Eu ainda acredito muito mais em Schopenhauer, nesse sentido, do que em qualquer outro.

“Aquele que vive sinceramente e encontra aflições verdadeiras e desilusões, e que jamais se deixa abater por elas, vale mais que os que sempre vão de vento em popa, e que conheceriam uma prosperidade apenas relativa”.

Van Gogh se deixou abater. Por isso vale menos?

Eu me deixo abater. A única prosperidade que conheço parece ser a da dor, ou pelo menos é a única que vejo lançando braços em torno de mim.

Além de tudo, como posso dizer o que importa ou não? Tudo que posso dizer é que tenho uma leve desconfiança, e foi seguindo-a que cheguei até aqui. E, na verdade, foi assim que todos chegaram, embora seus egos ofusquem essa visão. Nós estamos apenas tateando no escuro, e vamos morrer sem ter encontrado uma vela.

“Nossa razão se obscurece ao considerarmos que as inúmeras estrelas fixas, que brilham no céu, não têm outro fim senão o de iluminar mundos onde reinam o pranto, a dôr, e onde, no melhor dos casos, só vinga o aborrecimento; pelo menos a julgar pela amostra que conhecemos”. (Schopenhauer)

Uma resposta para “Sobre Van Gogh”

  1. jonas Disse:

    “pra variar” tá escrevendo pacas…continue!

Deixe uma resposta