Pessoas que nunca tocaram nem mesmo na capa de um livro do Nietzsche, Pirandello, nunca leram uma linha de Dostoyevsky, Tolstoi, Joyce, Henry Miller, Whitman, Huxley, que nunca ouviram a 4ª sinfonia de Brahms, nem mesmo alguma melodia de Mahler, que acham que Puccini é um tipo de molho pra macarrão; pessoas mortas, incolores, que vivem vidas que já foram vividas, que se perguntam por que o mundo está assim sem nem mesmo terem lido um livro de história, comunistas que nunca leram o Manifesto ou “O Capital”; pessoas mortas que não apodrecem, que ainda andam, que ainda se masturbam e trepam, que anunciam a beleza da vida e do amor enquanto dançam ao som de uma música frenética e gratuita, se esfregam numa massa de pele e suor, e se perguntam aonde está o sentido de tudo isso.
Aonde está o sentido, meu Deus? Pessoas com escolhas, pequeno-burgueses, fantoches, psicólogos, médicos, padres, empresários, químicos, jornalistas, arquitetos, professores, rabiscos intermináveis, fábricas, engenheiros, espelhos.
Abra uma revista, seu filho da puta. Enfie a antena no rabo para conseguir uma boa imagem.
Vá com eles. Pegue o caminho de ouro que se estende até a beleza da civilização, e vá me dizer depois suas conclusões sobre a filogênese enquanto troca esse seu tampão sujo de sangue que contém a semente de mais um humano.